31/12/2010 08h00 - Atualizado em 31/12/2010 08h00
Léo Rabello: 'Futebol é uma mentira. O que o jogador vê é dinheiro'
Dono da carteira nº1 de agente no país, empresário vê falsidade no amor à camisa e admite que às vezes tira proveito do amadorismo dos dirigentes
Léo Rabelo não cogita aposentadoria: 'Vivo em paz.'(Foto: Luciano Ribeiro / GLOBOESPORTE.COM)
Atualmente, o dono da carteirinha 001 de agente Fifa no Brasil não tem o futebol como número um em sua lista de prazeres. Empresário há 25 anos, Léo Rabello é exemplo clássico do velho ditado sobre consumo de salsichas. Se quem as produz é incapaz de comê-las, o mesmo vale para quem conhece a fundo os ingredientes dos boleiros. Rabello não vai a um estádio desde 2008. Só torce pelo seu Flamengo pela TV, e mesmo assim com bem menos ímpeto dos que nos velhos tempos. Atualmente, na maior parte das vezes um jogo é só um jogo. Ou melhor, só mais uma oportunidade de negócio.
- Estou no futebol desde 66. Isso frequentando o Flamengo. Como dirigente, desde 77. Ninguém é filho de chocadeira, sou Flamengo, era fanático. Hoje há um desgaste grande. Praticamente não vou a jogo. O último foi a final da Libertadores do Fluminense contra a LDU. Quando quero um jogador, mando os nossos auxiliares verem. Às vezes, acho meio enfadonho. O futebol que o público vê é uma grande mentira. O jogador de futebol vê dinheiro. Esse carinho, esse amor não existe, é folclórico. Quem balança a camisa quando faz gol, beija escudo, é hipócrita. Raros pensam diferente – resumiu o agente, que tem como principais ações neste fim de ano a permanência de Joel Santana no Botafogo, a transferência de Madson para o Atlético-PR e a tentativa de retorno de Thiago Neves do Al Hilal para o futebol brasileiro (Fluminense e Flamengo são os interessados).
Joel ri à toa com o prestigio no Botafogo. Técnico tem auxílio de Rabello em negociações (Foto: Ag. Estado)Era preciso fazer os dirigentes tratarem o clube como se fosse sua casa"
Léo Rabello
Muitos desgastes
Rabello ataca os craques que tentaram carreira na gestão do Flamengo, mas a recíproca é a mesma. Em 2004, Júnior teve problemas com o empresário logo no início da sua caminhada como dirigente. Com boas relações na diretoria, o agente tentou colocar na Gávea o desconhecido atacante argentino Castillo. Fechou tudo com a ala amadora no clube, mas Júnior brecou. Atualmente, ninguém lembra mais de Castillo. Mas também é verdade que não são boas as lembranças de Rafael Gaúcho, Negreiros, Welliton, Diogo, Flávio e Dill, alguns dos atacantes que vestiram a camisa rubro-negra naquela temporada.
Quem balança a camisa quando faz gol, beija escudo, é hipócrita"
Léo Rabello
Se o afeto pelo vermelho e preto não é mais o de antigamente, a relação profissional com o clube continua estreita. Seis nomes da base do Flamengo têm contrato com Rabello: o goleiro Caio, os zagueiros Fernando e Escobar, os meias Vitor Saba e Ygor, e o atacante Vitor Hugo. Entre os profissionais, há o volante Rômulo. O Fluminense aparece como segundo colocado na lista de atuações, com três jogadores, sem contar o interesse em Thiago Neves. No clube, há quem diga que o zagueiro Thiago Sales, também do casting de Rabello, só foi para as Laranjeiras em julho porque estava no “pacote” para o empresário lutar pela liberação de Neves. O goleiro juvenil Silezio e o volante Leandro Dantas são outros vinculados a Fluminense e Rabello.
O agente aposta na base, mas diz que, se fosse dirigente de clube, jamais permitiria a presença de empresários nos treinos das promessas. Em sua visão, é aonde os aproveitadores mais têm êxito.
Isso que você lê no jornal, o glamour, isso não existe. Mais de 90% dos jogadores vivem na maior miséria"
Léo Rabello
Nesta época do ano, os telefonemas aumentam na proporção dos anúncios de panetone e jingles melosos.
- Tocam umas 30, 18 furadas. É imprensa, conversa fiada, jogador ligando para pedir ajuda. A estrela não liga, mas os outros ficam preocupadíssimos quando estão sem contrato. Nós temos uma responsabilidade grande. Isso que você lê no jornal, o glamour, isso não existe. Mais de 90% dos jogadores, que deve ser algo perto de 20 mil federados, vivem na maior miséria. Só 3 ou 4 % têm esses salários altos. Não passa disso. Futebol é uma profissão muito efêmera. O cara trabalha 10 anos em média. O salário alto dilui no tempo. Raros são aqueles que têm formação para exercer uma profissão. É treinador, preparador físico, auxiliar, fora isso não tem mais nada para fazer. Porque eles não estudam nada, não sabem nada. E precisam de alguém estruturado por trás para render bem.





























