22/02/2011 07h35 - Atualizado em 22/02/2011 10h11
'Gato arrependido', Sandro Hiroshi sonha esquecer 'erro' e voltar à elite
Conhecido pela alteração da idade no fim dos anos 90, atacante afirma que ainda convive com desconfiança e quer voltar aos holofotes com RB Brasil
Apesar do tempo, Sandro Hiroshi ainda é lembrado como gato' (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)O que me deixa triste é quando me chamam de trambiqueiro"
Sandro Hiroshi
Hiroshi despontou para o futebol no Rio Branco, de Americana, cidade no interior de São Paulo. Entre 1994 e 1999, passou pelas categorias de base até chegar ao time profissional. Com um bom desempenho no Paulista de 99, quando foi vice-artilheiro da competição, ele chamou a atenção do São Paulo e logo se transferiu para o time do Morumbi. Mas um problema de documentação entre seus ex-clubes deflagrou o caso de adulteração de idade, conhecido no meio do futebol como "gato".
Outro imbróglio com Sandro Hiroshi
O caso foi descoberto depois que o Tocantinópolis-TO, time pelo qual jogou quando criança, exigiu receber uma quantia em dinheiro, referente à mudança do Rio Branco para o São Paulo. A alteração no seu documento de identidade, segundo Hiroshi, ocorreu em 1994, quando ainda não havia completado 15 anos. Ele conta que a fraude foi feita para que pudesse disputar um campeonato da categoria dente de leite, que era televisionado, pelo clube de Americana. O jogador obteve da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão uma carteira de identidade que atesta que ele nasceu no dia 19 de novembro de 1980, dia em que completou, na verdade, um ano de idade.- Em março de 94, Sandro Hiroshi estava registrado como jogador do Tocantinópolis (TO). Alguns meses depois, ele foi levado para Americana (SP), onde passou por testes no Rio Branco. O clube paulista registrou-o como seu atleta amador. O ato feriu a legislação, pois a saída do atleta não havia sido autorizada pelo seu clube anterior. Tempos depois, ele foi profissionalizado pelo Rio Branco, que passou a ser dono do seu passe. O Tocantinópolis só se manifestou após o jogador se transferir para o São Paulo, em junho de 99. A diretoria do time de Tocantins procurou o Rio Branco para pedir 30% do valor arrecadado (US$ 2,5 milhões) ou o passe do jogador de volta. Com a recusa do Rio Branco, o time de Tocantins procurou o STJD. O Botafogo, que havia sido derrotado pelo Tricolor por 6 a 1, com um gol de Hiroshi, em 25 de julho de 99, soube do problema e entrou no TJD e conseguiu recuperar os pontos, assim como o Internacional, que somou mais um ponto pelo em 2 a 2 com o Tricolor. A decisão da Justiça Desportiva alterou o rebaixamento para a Série B, mantendo o Botafogo na elite e decretando a queda do Gama-DF. O time do Distrito Federal reagiu e, após longa disputa judicial, foi criada a Copa João Havelange em 2000, com quatro módulos.
Sandro Hiroshi (centro) em ação na Segunda Divisão do Campeonato Paulista(Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Hiroshi foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva com 180 dias de suspensão. Nesse tempo, ele conta que pensou que sua carreira estaria acabada. Recebeu apoio psicológico do São Paulo, que não se negou a pagar seus salários mesmo depois da descoberta da fraude. Na Justiça Comum, respondeu pelo crime de falsidade ideológica e afirma que já está quites com a lei.
Aos 31 anos, Sandro ainda não pensa em parar(Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)
Titular do RB Brasil, equipe sediada em Campinas e que disputa a Série A-2 do Campeonato Paulista, Sandro Hiroshi espera recuperar o prestígio do início de carreira, mas sem os problemas do passado. E ele não pensa no momento de pendurar as chuteiras
- Meu pensamento aqui é igual ao da diretoria. Queremos vencer os jogos e um dia chegar à primeira divisão do Campeonato Paulista. O momento de parar só Deus sabe...
Na Coreia do Sul, costumes estranhos
Depois da descoberta da adulteração nos tempos de São Paulo, Sandro Hiroshi passou por Flamengo, Figueirense e Guarani, até ser convidado para atuar no futebol sul-coreano. Na Ásia, ele atuou por três equipes diferentes: Daegu, Chunnam Dragons e Suwon Samsung. Além dos hábitos diferentes na alimentação - o atleta afirma que nunca comeu carne de cachorro, apesar de ser um costume no país - , ele viu algumas atitudes estranhas nos vestiários das equipes.
- Lá os mais jovens respeitam muito os mais velhos. Mas, às vezes isso passava dos limites. Os treinadores batiam nos atletas sul-coreanos quando eles faziam algo errado nos jogos. Não era raro ver os jogadores chorando. Eu ficava indignado, mas não podia fazer nada. Para eles, aquilo era comum - contou.
Hiroshi disse ainda que aprendeu a ler em coreano e que chegou a conseguir se comunicar com os atletas.
- Eles sempre brincavam comigo, pedindo para que eu falasse as coisas porque tinha um sotaque diferente - relembra.
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