02/05/2011 10h53 - Atualizado em 02/05/2011 11h08
Fluminense assina rescisão amigável de Emerson e corre atrás de atacante
Após indisciplinas e dispensa antes de jogo decisivo pela Libertadores, Sheik deixa as Laranjeiras em acordo sem ônus para ambas as partes
Emerson em sua última entrevista como jogador doFluminense, em 16 de abril: 20 jogos, nove gols, um
título, e muitas indisciplinas pelo Tricolor
(Foto: Caio Amy/Photocamera)
Se mandasse o jogador embora por justa causa, o Fluminense poderia ser obrigado a pagar na justiça pela rescisão de contrato. O valor seria correspondente a metade do que Emerson teria a receber até o fim do compromisso, previsto para dezembro de 2012. Como o Tricolor arca com 20% do salário do atleta, o clube corria o risco de ter de pagar cerca de R$ 700 mil.
A intenção da diretoria era negociar o jogador com outro clube, em uma transação até mesmo envolvendo outros jogadores. O clube esperou, mas não recebeu nenhuma proposta oficial. A rescisão em comum acordo, além de evitar prejuízos ao clube e tirar Emerson da folha salarial, ainda evita problemas com o empresário do atacante, Reinaldo Pitta, que agencia outros atletas do elenco tricolor, como Tartá, Matheus Carvalho e Julio Cesar.
- A rescisão está confirmada. Houve uma incompatibilidade entre as partes, mas foram problemas internos e não cabe a mim falar sobre isso. Conversamos com o Pitta, que tem um ótimo relacionamento com o clube. Havia outras possibilidades como troca, empréstimo, mas nenhum clube nos procurou oficialmente. Por isso decidimos pela rescisão em comum acordo. Ele segue seu caminho e nós seguimos o nosso. Não posso falar sobre o futuro do clube, mas, enquanto a atual diretoria estiver no comando, ele não veste mais a camisa do Fluminense - garantiu o assessor da presidência tricolor no futebol, Mário Bittencourt.
Com a saída de Emerson, o Fluminense agora busca um atacante de velocidade para reforçar o time na disputa do Campeonato Brasileiro. Atualmente, o grupo conta com cinco jogadores de frente: Fred, Rafael Moura, Araújo, Rodriguinho e Matheus Carvalho.
Entenda o caso:
Após ato de indisciplina na concentração há duas semanas, em Buenos Aires, onde o Flu iria enfrentar o Argentino Juniors, pela Taça Libertadores, Emerson foi afastado do elenco e retornou ao Brasil imediatamente. O Sheik também ficou fora da partida semifinal da Taça Rio, diante do Flamengo. A gota d´água para a decisão teria sido o fato de o jogador ter cantado a música do “Bonde do Mengão Sem Freio” no ônibus tricolor após o último treinamento antes da partida na capital argentina.
Herói do título do Brasileirão em 2010, com o gol decisivo na vitória por 1 a 0 sobre o Guarani, na última rodada, dia 5 de dezembro, no Engenhão, o atacante viveu uma temporada nada agradável. Ausente da maioria dos jogos do Flu na temporada, ele entrou em campo somente em nove oportunidades e marcou apenas um gol.
Ainda na pré-temporada, Emerson voltou a sentir uma lesão no tornozelo esquerdo, a mesma que o afligiu na reta final do Brasileirão. As atuações abaixo da média no retorno, porém, culminaram com a barração na partida diante do Nova Iguaçu, em 17 de abril, quando entrou em campo apenas na segunda etapa. No mesmo dia, fez um comentário misterioso, mas que deixava clara a insatisfação, através do Twitter.
- Agora o circo está completo.
Este não foi o primeiro ato de indisciplina do jogador no ano. Antes da partida diante do América do México fora de casa, ele teve a data marcada para tirar o visto mexicano e não compareceu ao consulado. Na sexta-feira que antecedeu o jogo em Buenos Aires, Sheik voltou a aprontar ao não comparecer ao treinamento. Além disso, não aceitou as orientações da assessoria de imprensa a Souza após a polêmica twitcam realizada em Montevidéu, há duas semanas, antes da partida contra o Nacional. Também na capital uruguaia, para onde ele cogitou sequer viajar, objetos foram quebrados em seu quarto.
Recentemente, o atacante foi excluído da lista de jogadores inscritos pelo Fluminense na Libertadores. O volante Diogo herdou a camisa 10. Dias depois, foi a vez de Abel Braga, atual técnico do Al Jazira-EAU e futuro comandante do Tricolor, declarar que esperava contar com Emerson. O apelo, no entanto, não foi suficiente para mudar o pensamento da diretoria tricolor.
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